O poema não é meu a palavra não é minha esse tempo não é sólido as lembranças não me pertencem esse tempo maltrapilho os estados fogem esse tempo maldito Os momentos estão vagando porque o tempo decidiu.
O homem inquieto e suas inquietas sombras brigam por uma escrita, às vezes clara, às vezes escura. mas à escrita, ele Serve a coisa Alguma Tentando ser Alguma coisa.
Mundo Imundo E tudo Muito Nulo. Muita Fuga Pro Fundo Do poço. pouco Fungo Pra Muito Pescoço. Aqui Em Baixo Inundo E distorço. Suba se for insosso. O poço É fundo mas não tem alvoroço, a roça de cada um é a fossa de cada um.
A nostalgia de ver que o tempo passa. A primeira a segunda terceira e quarta linha das páginas da vida. O sentimentalismo exagerado (e necessário). Extremamente necessário. A nostalgia de ver que ele não volta não repete não ama. Mil novecentos e vinte e sete era ontem. Hoje já é dia de orgia. O tempo, o tal adorado, é o pai da nostalgia.
Todo nulo sujo é seu o limpo, o breu Abel, Orfeu O cego, o ateu O pecado, o hebreu O louco, o mel A vida, o céu e até o nunca é seu. Agora, deus teu, somente o futuro é dissimulação. Hoje é apogeu.
Normal é rimarmos Mal Com aquela rima Fácil Com aquela rima Falsa Com o sotaque Estoque Como um ataque À sorte. Normal é firmarmos Forte Um despacto Formal Com a chave ,a morte. Normal é rumarmos ao desarrumado mundo do norte sulificado com rimas pobres, desnorteado pelos cantos podres desmascarados pelos atores sórdidos bestificado pelos padres e pastores. Além do mais, Todas essas palavras Anormais Juntas, Não segue a norma. Aqui, Normalmente Norma Mente.
O que eu sou Do menino Que me doma Esta claro como A chuva no Telhado sujo.
Eu sou do menino A forma mental Paradoxo extremo Da velhice. Sou mortal.
O menino velho Novo Novamente Tentando Ser velho Serve a coisa Alguma Tentando ser Alguma coisa.
O lado velho Morre O lado menino Mata.
O grito riso brinco Sai Do menino O contido Está no velho.
A linha torta Velha vem sem rima Dos dedos do menino. A crítica vendo velho. O velho em frente a critica Estica-se e curva E se adapta. O menino Rapta-se e Sente a vida. Os olhos atentos Repara o velho E cutuca quem brinca E não repara. A vergonha na cara Que o menino não tem Por extinto.
Quando eu era menino Falava como tal Agora que estou menino Quero ser mais.