Primeiro a gente vive. Pouco primeiro. Depois a gente comenta a vida. Muito depois.







quinta-feira, 22 de março de 2012

Inversão, diversão


A invenção do prisioneiro é a liberdade
A do nostálgico, a graça
a invenção do solitário é a saudade
a do insosso, a taça
a invenção do desocupado é a luta
a do cansado, a morte
a invenção do alojado é a chuva
a do mendigo, a sorte
a minha invenção é tudo o que não
pode ser inventado.
Aquilo que quando sinto
Fico calado.
Quando percebo
É tudo mentira,
E eu minto
E meto a culpa na invenção.

Romantismo


amor
a
morr
a
mor
ra
mo
rra
m
orra
amor.

o arco
o sol
o íris
a água
o arco-íris

E o Jardim?


Meu nome é liberdade
Passeio entre campos
Colhendo milhos velhos
Afogando cérebros
No utopismo de sempre

Meu nome é liberdade
Posso dizê-lo quantas
Vezes quiser, posso
Não rimar este poema,
Posso dar outro nome, prosoema.
A métrica ficou pra trás
Porque o verso é livre.

Estes decassílabos que ficaram
Entediantinalizado e chato
Desafiador vil brancomântico,
é livre para ser finalizado.

A musicalidade da liberdade
É outra, um sussurro do vento
abatendo caras e corpos livres
deitados de pé no jardim dos prazeres.

Meu nome é liberdade,
O jardim é meu.
Eu não existo.
E o jardim?

A-breu


Apaguem as luzes
Espanquem a escuridão
A lua está alva como a neve
E como o espírito de ninguém.
Apaguem as luzes da cidade
Fétida caótica turva
E deixem a lua lumiar.
O olhar do céu
No céu
Não para.
Ela não para
A nuvem passa
Ela não para
A chuva encobre
Numa falta de sorte
Que não para
cada minuto que passa
nunca morre.

Trouxeste a chave?


A PALAVRA
separa
o salgado e o insosso
Separa o Bem do mal
O preto do branco.
A palavra separa o mundo
Segrega o fundo
Exalta o poço.
A palavra decreta
Nome
Sobrenome
Mata homem
Vive homem
Ela separa a vida
E a morte.
É a linha tênue entre a arte
E a loucura.
A palavra decreta
“é amarga essa doçura”, grita o louco.
O louco só grita o que a palavra
Ordenara.
A voz capataz
A palavra esperta
Acalmada exagera
No poder.
Fala de si mesma
De outros
De tantos
Outros.
De tantas outras coisas.
O verso entorta
Mas a palavra,
Nunca
Morta.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Alfa


Quando o poema começa
A palavra
Acha-se poema
Logo na primeira farsa
A primeira fala
o acento
A regra descartada
O fonema a metáfora
Mas
A letra segue
Mão de obra
Operando
Sem sentido.

O comunismo vive
Poema
é puro comunismo vil.
A é a
m é m
O é o
R é r
Mas a, m, o e r
Juntas,
são o indescritível.